quinta-feira, 8 de abril de 2010

Encontro

Era sábado de um abril despedaçado. La ia eu, cheia de sacolas de supermercado, quando meu olhar cruza com o de uma senhora também cheia de sacolas pesadas. Cabeça branquinha, suor escorrendo, rosco cansado e olhos azuis cheios de vivacidade. Ela me abre um sorriso e diz:"Já reparou? Mulher vive carregando saco". O olhar malicioso destoa da aparencia discreta. Adorei. Ri. Rimos juntas. O abril ficou menos despedaçado, nosso riso colou alguns cacos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Entre leitos de hospitais





Passei certa tarde ao lado de uma xicara de café, uma folha de papel e uma caneta, refletindo sobre minha atitude frente à vida nos ultimos meses. Minhas anotacoes me revelaram a frieza da minha rotina, que ,sem sal e vazia, me conduz pelos dias sem que eu dê valor às dádivas simples, porém tao essenciais que tenho recebido de Deus: alimento, transporte, estudo, trabalho, amigos, Saúde.
Tenho tantas coisas, materias e imateriais, e, por te-las todos os dias com tanta facilidade, me acostumo e nao agradeço.
Essa, é a insensibilidade com a qual vivo cada dia .
Mas o cair da tarde me pôs em posicao privilegiada. A posicao de quem sofre, de quem está aflito, de quem tem medo.
Um subto mal fisico me atingiu. No hospital me deram soro na veia, e me deixaram deitada em um leito, junto de outros pacientes. Nesse instasnte as horas aceleradas do meu dia entraram em subta camera lenta. Os minutos, que diariamente voavam no meu relogio, agora, nesse cômodo de hospital, andavam sem pressa, sem a preocupacao de serem ou não produtivos.
À minha volta, só existia a dor, e ela, me trouxe o privilégio raflexão.
Deixei meus olhos caminharem lentamente pelo amplo ambulatório.
Tosses, choros, agulhas, e os acompanhantes sentados ao lado de cada leito, alguns inconsoláveis, outros esperançosos, muitos abatidos, temerosos, aflitos, imaginando "o que será da minha vida se eu perder essa pessoa tao querida agora?".
Meus pensamentos nao fungiam dessa realidade. A aflicao de nao saber o que causara meu mal transformou-se em uma grande inquietacao. "o que será que eu tenho? E se for um tumor: ou algum problema cardiaco? E se a partir de agora eu descobrir que enho alguma enfermidade séria? A vida que tenho mudará completamente. Nao poderei mais ser a mesma pessoa."
E entao comecei a pensar em tudo o que eu tenho, e perderia.
Enxerguei o meu orgulho, e a imagem ideal que faço de mim mesma, como se eu fosse perfeita, indestrutivel, inatingivel. Tola que sou, por me achar tão jovem, tao boa, tao forte. Um minuto foi suficiente para revelar minha enorme fragilidade diante da vida.
Foi nesse instante que percebi o imenso valor de tudo o que tenho, de todos que tenho, e de como para mim, uma coisa tao grande, como a saúde, é tratada com tão pouco caso, com tanto comodismo, e coisas tao mesquinhas e sem importancia, como o orgulho, o esgoísmo e a insensibilidade, sao colocadas como tao importantes, a ponto de eu me permitir viver com elas.
Agora, só quero descobrir que estou bem, nao para permanecer como estava, mas para ter uma segunda chance se ser mais humilde, e grata.














Inventei uma pessoa pra mim. Uma pessoa para estar comigo o tempo todo.
Mora comigo, conversa comigo e diz o que eu quero ouvir.
Não estou mais sozinha. Aliás, estou sozinha, com ela. Carrego voce comigo.
 Você vem comigo. Voce me acompanha, mas me deixa ir se eu precisar, se eu quiser. Estou a vontade. Nao tenho inibicoes, inseguranças, não tenho medo.
Você é parte de mim. Você está em mim.
Você, sou eu